DELÍRIOS

July 13, 2019

Um dos meus passatempos preferidos é sonhar. Acordada, semi-acordada, por vezes ensonada, mas não a dormir. Usualmente deixo-me levar num delírio sem fim, bem distante da realidade. Da última vez que me aconteceu, as coisas eram tão incrivelmente absurdas, que nem sei como a minha imaginação foi capaz de tanto:

 

1) As pessoas tinham que fazer e decidir tudo sozinhas, imagine-se! Arrumar a casa sem personal organizers, definir as metas de vida sem life coachers, escolher o que vestir sem stylists e, por incrível que pareça, escolher o que comer sem um nutricionista!

Aterrador, não é? A propósito... como é que em Português nutricionista ainda se diz nutricionista????

 

2) Conhecer alguém implicava realmente estar com a pessoa no mesmo espaço físico, sentir-lhe o cheiro, eventualmente tocar-lhe. Uma conversa implicava sempre que alguém interrompesse o discurso de outrem, já que se corria o risco de falar em simultâneo e não à vez, como agora fazemos pelo WhatsApp. Simplesmente ridículo, eu sei!

 

3) Não se podia ir ao facebook ou ao instagram partilhar uma foto nossa e escrever love you to the moon and back para dizer que se adora alguém. Era tudo olhos nos olhos, sem espectadores anónimos, e normalmente acompanhado de um abraço sentido. Pais e filhos diziam o que tinham a dizer uns aos outros com sinceridade e em privado. Como, não me perguntem; também acho nojento.

 

4) O mesmo para nos despedirmos de quem morre, para dar os parabéns a quem faz anos ou mesmo, impressionante isto!, para pedir desculpa. Sem um único teclar!

 

5) No meu sonho, os piolhos exterminavam-se em casa, com uma fralda à volta da cabeça a isolar um produto qualquer. Acho que a palavra pediculose não tinha sido inventada e não havia centros especializados para a piolhagem. Inacreditável, sim. Como se sobrevivia com tanta imundice não imagino!

 

4) As crianças brincavam na rua e sujavam-se todas, ranhosas, com roupa rota e aos gritos, gargalhadas sem fim, e os pais lembravam-se delas quando era hora de jantar. Deus nos livre de tal coisa, e ainda bem que existem entidades para denunciar semelhante negligência parental e uma Lei do ruído a respeitar, para salvaguardar o bem-estar da comunidade.

 

5) As pessoas andavam a pé... e o mais impressionante é que era a olhar em frente! Sem um telemóvel na mão e sem auriculares nem trotinetes! Nada!

 

6) Odiar, não simpatizar ou mesmo ignorar alguém carecia de uma certa imaginação e não se demonstrava em likes ou textos anónimos. Que horror, as pessoas tinham que assumir mesmo o que sentiam!!

 

7) Viver era simplesmente... viver. Uma verdadeira monotonia. Nunca ninguém via fotografias do que estávamos a comer, onde estávamos de férias, o que vestíamos e como tínhamos sempre a pele impecável, a roupa mais fashion e os dentes tão branquinhos. A sério!

 

8) Ah, e as palavras escreviam-se sem abreviaturas, os textos não se liam na diagonal e chegava-se mesmo a ler tudo até ao fim de um texto! Canseira total!

 

Que sonho tão estranho, onde é que fui buscar uma vida tão complicada!  Livra!!

 

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