ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO PARA ADULTOS

March 3, 2018

Seja devido aos conflitos geracionais, aos diferentes feitios, ou mesmo a preferências clubísticas distintas, há por aí uma dificuldade de comunicação geral, que a meu ver tem que ser atacada de forma sustentável e eficaz.

 

São os pais que não entendem o que o bebé quer, as filhas adolescentes que não conseguem ser entendidas pelas mães, os maridos que não captam as mensagens das mulheres, etc.

 

 

E depois anda tudo frustrado, com lamentos de que ninguém os ouve, ou que ninguém os entende, ou, por outro lado, que os outros não se exprimem bem. Quantas e quantas vezes se diz a frase “falar contigo é o mesmo que falar para uma porta”? (adivinhem quem diz a quem…)

 

A minha proposta para acabar com estes desencontros é simplesmente adequar os meios aos destinatários, através de uma Política Nacional para a Comunicação, a implementar antes mesmo de os cães começarem a estar à mesa dos restaurantes, pois antes de começarmos todos a socializar com os animais, é urgente comunicarmos uns com os outros (digo eu, embora saiba que há discordantes).

 

A estratégia de meios a utilizar, por destinatário, é a seguinte, e refletindo as melhores práticas que informalmente já são observadas nas sociedades ditas modernas.

 

Nota: os segmentos são simplificados por uma questão de estrutura do Plano, sendo que poderão ser adaptados a mais do que um em simultâneo.

 

 

Dos 0 aos 6 – Um telemóvel ou um pequeno Tablet a passar vídeos infantis (vulgo bonecos animados), horas a fio e de preferência bem alto. Ideal para a hora da refeição, antes da sesta, depois da sesta, nos restaurantes, em reuniões de família, em encontros com os amigos, sem amigos, sem refeições, ao mesmo tempo que a TV, sem TV, dentro de casa, fora de casa, e por aí fora.

A criança deixa de chorar. Deixa de gritar. A criança sorri. A criança come. Não precisamos de lhe dizer nada, nem de nos esforçar para explicar que tem que comer ou portar-se bem. Ela vai portar-se bem. Quieta e calada. Um consolo. Tudo o que há a comunicar fica comunicado por natureza.

 

 

Dos 7 aos 10 anos – é falar com eles via Whatsapp. É certo que os menores de 13 anos devem (ainda*) obter consentimento parental para ter acesso a serviços digitais em geral, mas quem se rala mesmo? Basta tirar proveito da destreza com que as criancinhas dominam tantas ferramentas hoje em dia, usam emojis, gifs, fotografias, abreviaturas e personalização, grupos de amigos, de conhecidos, de colegas, partilha de estados de alma, de comentários e… de superior conhecimento em relação aos pais. Para os chamar para a mesa, vai um emogi em forma de pizza; para os repreender vai um gif d’A guerra das estrelas com alguém com cara de mau, e por aí em diante.

Já que a comunicação pessoal e individual está a desaparecer mesmo, resignemo-nos a que toda a comunicação seja social.

 

 

Dos 11 aos 14 – Servindo também para o segmento anterior, o segredo de uma boa comunicação, se for por escrito, é ser-se sucinto e escrever o mínimo dos mínimos, de preferência só com abreviaturas pq é mm isso q a pp entende. Mais que umas letrinhas já não há pachorra.

 

Na verdade não sei como faz sentido que, no 8º ano, haja como  matéria curricular as redes sociais, no âmbito das TIC. Para eles deve ser uma anedota assistir a aulas sobre aquilo que sabem como ninguém.

 

O Plano recomenda o Youtube para este segmento. Se um unboxer consegue mobilizar milhões de fãs para verem um aparelho elétrico que tira os macacos do nariz a sair duma caixa; se um youtuber consegue biliões de gostos e comentários por dar uns traques e gozar com a mãe, não há como um vídeo a mostrar a compra dos ténis pedidos na feira de Carcavelos, e da marca Nique, em vez de na loja da Nike, para abrirem a pestana. Só não se fica milionário como a concorrência, mas envergonha e surte efeitos.

 

 

 

Dos 15 aos 24 – Tem que ser o Instagram. Segundo a Marktest Consulting, e o estudo “Os Portugueses e as Redes Sociais”, a penetração do Instagram nesta faixa etária é de 80,4%. Muita foto tira esta gente. Em poses supppppeeerrrrr naturais, sem borbulhas, sem olheiras e principalmente… sem pudor. Tomara eu ter um umbigo de jeito para o fazer.

 

Daí para cima é o que calhar. Como de qualquer forma aos 40 já se é velho, aos 25 já se caminha para a terceira idade e é o salve-se quem puder. Sei que para os jovens o facebook já está a ficar fora de moda, e agora são os avós que usam. Que os SMS estão em vias de extinção e que o Twitter é para desabafos. Mas todos usam um pouco de tudo. Para comunicar, aliás, exibir e ofender, vale tudo.

 

Que saudade de falar cara a cara, de ouvir as vozes ao vivo e de não ter tantos intermediários para passar e receber mensagens.

 

Pensem nisso. Eu é que agora não tenho tempo pois vou ver se escrevo mais um post, tenho que responder à minha mãe no facebook, tentarei encontrar uma receita para o jantar no Pinterest e ainda ver se algum youtuber tem ideias giras para o dia do pai!

 

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