MENINOS E MENINAS

November 24, 2017

Chegou-me finalmente a mostarda ao nariz e aqui venho mostrar a minha indignação! Passo a explicar: acho incrível que tenha havido tanta polémica em torno da discriminação sexual em certos manuais escolares e se tenha feito uma tempestade num copo de água por coisas tão simples como cores e atividades tipificadas.

 

Aquilo que tantas pessoas reclamaram e debateram não faz qualquer sentido, na minha opinião. Qual o mal de haver o rosa e o azul, bonecas e carrinhos, e por aí em diante? Não seria melhor deixar tudo como estava? Será que certas mulheres não perceberam que tudo não passa de uma tentativa de encobrir a inferioridade dos homens?

 

Então: na impossibilidade de distinguir entre verde seco e verde-garrafa, verde alface e verde-mar, deixemos os fofinhos só com o azul que para eles já é muito bom! Não os confundamos com o fúchsia, rosa-choque e o rosa velho, pois o azul basta. Poupemos as suas cabecinhas à luta de distinguir entre o branco sujo, o branco pérola e o cinza esbranquiçado, por favor. AZUL ESTÁ BEM!

 

Por outro lado, já que é inevitável que se tornem todos autodidatas em carros/automóveis/veículos e afins, deixemos os meninos brincar com os seus popós e começar cedo a saber o que é a buzina, o limpa para-brisas e o motor, a correia não sei do quê, a ignição e por aí além.

 

E ficam felizes da vida: azul + carros = a fórmula perfeita. Não percebo tanto alarido à volta disto!

 

O que realmente me incomoda é que continue a haver por aí muita coisa à venda que contraria esta pacífica igualdade de género. Não consegui ainda perceber se os autores são homens ou mulheres, mas também não interessa, pois há de tudo neste mundo.

 

Fiz uma pequena pesquisa e não demorei muito a encontrar dois bons exemplos daquilo a que me refiro:

 

1 – Numa das minhas tardes mais aborrecidas, decidi ir a uma estação de correios para me animar. Como descrevi aqui, segui a receita infalível e ainda fiz umas comprinhas para o Natal.

Pois eis que, assim do nada, me deparei com um belo exemplar de um livro de exercícios para crianças, de frente para quem entra na estação, em grande destaque como se se tratasse do livro do mês:

 

 

Mas afinal É ISTO QUE ANDAM A ENSINAR ÀS CRIANÇAS?

Acham normal a expressão corporal da Sarinha, tão cutchi cutchi, tão querida?

De rabo empinado, a oferecer o lombinho ao Nuno, a marota!

 

Até entendo que a ideia talvez seja enaltecer a boa expressão físico-motora, mas não exageremos….não confundamos com contorcionismo (dada a facilidade com que a miúda se dobra). Aproveita, Nuno, que é tudo teu!

 

Vejamos agora o Nuno, rapaz afortunado! Estão a ver as mãozinhas? Como que a dizer “Ui, ui, aqui vou eu! A mão direita já está a jeito! Vais ver como eu também me exprimo tão bem físico-motoramente!”

Não me lembro de ter visto ninguém a reclamar desta capa, e acho mal.

 

 

2 – Para ser sincera, já não me lembro bem onde encontrei este calendário. Mais uma vez não investiguei em profundidade a origem, a autoria, mas destina-se a crianças, e principalmente a dar-lhes conselhos úteis para a vida: ajudar o próximo, ser amiguinho, e coisas do género.

                                                         

Pois que, chegando ao mês de março, temos uma cena familiar enternecedora, e com o respetivo conselho à altura:

 

 

Pergunto eu: alguém já experimentou esta inovadora forma de descansar? Eu não, mas deve ser o máximo, pois a mãe está com um ar de felicidade que não se aguenta!

 

A pobre criatura está a alimentar o “seu mais novo”, a ver se o mais velho não inunda a cozinha, aquele cabelo não tem direito a corte e brushing há uns bons 3 anos por falta de tempo, e eu aposto que se víssemos mais ao perto, o buço deve estar enorme e as sobrancelhas um mato. A roupinha já deve ter sido comprada em mil novecentos e troc’ó passo, basicamente porque esta mulher tem mais que fazer. Mas não me parece que seja descansar… Talvez o sorriso tenha sido apenas para mostrar que, apesar de tudo, tem conseguido ir ao dentista.

 

Outra dúvida com que fico é sobre o paradeiro do pai. Pelo título, o pai deve estar certamente a fazer as tarefas domésticas no sofá, deitado, e a ver televisão, enquanto a mãe descansa. Certamente também uma forma moderna de lida da casa que eu ainda não descobri.

Entretanto já tirou as meias e atirou-as para um canto, e suspira de tão estafado que está depois de um dia de trabalho. O mesmo que a mãe teve, claro.

 

A mãe, perante a imundice em que ficará o chão depois daquela lavagem de loiça, ainda vai limpar tudo, arrumar a cozinha, deixar o dia seguinte preparado, e se for à sala é lá para a meia-noite, para acordar o marido que entretanto já ressona.

 

Sim, eu sei que estou a levar ao extremo e  não é assim em todo o lado, mas este março é do pior que já vi. O título, para fazer sentido, seria: “Há momentos em que devo estar quieto a ver televisão com o meu pai, para a minha mãe não ter um (outro?) ataque de nervos”.

 

Pois bem, alguém viu uma manifestação a exigir que estes calendários saíssem de circulação? Não, pois não? Por esta altura lá estará pendurado em várias paredes, com o conselho de novembro. Qual será?

 

 

3 – Para este terceiro exemplo ainda não tenho foto. Mas, apesar de o tema não ser completamente novo, acho que não foi devidamente discutido. Trata-se da ideia lançada por uma loira (não ponho aqui foto da própria porque não quero cá intrusas), de criar carruagens no metro e no comboio só para mulheres.

 

Ao princípio julguei tratar-se de uma piada, mas a verdade é que não. Por causa dos apalpões e esfreganços dos homens, as mulheres seriam postas de parte (voluntariamente, claro!), ou seja, uma coisa do género “quem está mal mude-se".

 

Eu não concordo nada com isto, e acho que vou lançar uma petição contra esta proposta. Ou fazer de tudo para o tema entrar na discussão sobre os meninos e as meninas, mas a sério. Alguns dos meus argumentos:

 

A) Como esta vida é injusta, as carruagens das mulheres, que são mais que os homens, serão menores, claro. Nós ficaremos portanto condenadas a nos roçarmos umas nas outras em vez de neles, por falta de espaço. Poderá haver quem goste, claro, mas não é o meu caso.

 

B) Com esta iniciativa, surgiriam decerto outras ainda mais eficazes, como a proibição de usar minissaia e decote (se não queres que te comam com os olhos, tapa-te e cala-te!); a proibição de usar perfume e desodorizante e de lavar os dentes (se cheirares mal não serás assediada de certeza!) e por fim a proibição do ensino para as mulheres para além do primeiro ciclo – apenas para garantir umas luzes sobre a História de Portugal e de como ler os rótulos no supermercado (quanto menos souberes menos conflituosa e chata serás!). Pois também não estou ver….

 

 

Enfim, acredito que haja muita coisa a ser retirada do mercado e muitas pessoas que mais valia estarem caladas, só não percebo porque se escolhem algumas como alvos e outras nem por isso. Talvez seja uma questão de sorte. Ou de azar, neste caso.

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