ÀS METE-NOJO

September 17, 2017

 

Devo referir desde já que não sou uma feminista fanática. Não ando para aí de bandeiras na mão a pedir quotas para as mulheres, nem a assinar petições sobre os meninos e as meninas.

 

Só acho realmente chato que, se por um lado haja mulheres a esmifrarem-se para serem levadas a sério e a espumarem da boca com injustiças inacreditáveis e machismos; haja, por outro, umas tipas que de tudo fazem para nos deixar ficar mal, e a que eu simplesmente chamo as mete-nojo.

 

Há várias raças de mete-nojo:

 

As fadas do lar

 

São, como o nome indica, um às na cozinha (daquelas que mal ligam o fogão já cheira a refogado), sabem coser e cerzir em ponto meia, estendem a roupa e viram-na três vezes conforme o sol gira, aspiram a casa todos os dias e não deixam ninguém comer na sala sem ser em dias de festa. É uma raça rara, em vias de extinção, o que é deveras problemático, pois se acabarem de vez haverá por aí muito boa gente a morrer de desgosto (e principalmente por incapacidade de sobrevivência).

 

Mas enquanto as houver, como é que alguma vez podemos almejar a igualdade? Primeiro, porque nenhum homem consegue igualar isto, e depois porque, com tanto zelo doméstico, quem é que ao fim do dia ainda tem cabeça para acompanhar os 30 debates televisivos semanais sobre o vídeo-árbitro? Não dá para estar a par dessas coisas intelectualmente superiores, não dá mesmo…. E lá se vai a igualdade, porque depois não estamos à altura dos grandes debates nacionais….

 

 

As genuínas

 

Esta raça é tramada. São mulheres que até têm formação superior, mestrados, cursos profissionais, mas que, lá está, o que as motiva é a satisfação pessoal, o convívio, o fazer algo diferente...e por isso lá estão elas a dar beijinhos aos ciclistas. Coisa que eu, a bem da verdade, lamento ter terminado em vários países. Por cá, não há como as demover a continuar. E não há nada mais bonito do que seguirmos genuinamente os nossos sonhos…

 

O problema é que assim, os cargos para licenciados nas empresas são de facto todos ocupados por homens! Não pode ser, desta forma não há estatísticas que resistam. Ficamos sempre em minoria! (o que é uma pena, por outro lado: o que não dariam muitas mulheres para ver dois recém-licenciados em Marketing, de olhos azuis e roupa justa, a felicitarem a manas Williams depois de uma vitória em Wimbledon?

 

 

As distraídas

 

Não é minha intenção personalizar isto, mas convenhamos: que lógica tem uma pessoa andar a apregoar que somos Capazes de tudo e mais alguma coisa, que a mulher é igual ao homem, e bá blá blá…. e depois estar ao fim de semana a apresentar programas com  palcos cheios de pernas ao léu e mamas aos saltos? Já para não falar duma altura, imensamente hilariante, em que era feito o apelo ao telefonema no 700 e coiso e tal, em frente a um carro XPTO que poderia ser ganho…. o carro sempre ladeado de umas 6 moças, todas descascadas, com sorrisos de orelha a orelha?

 

Então defende-se a igualdade ou a mulher adereço? Não percebi. Se calhar foi só distração! Vi imensos programas desses sempre à espera da versão masculina e nada...

 

 

As ridículas

 

Confesso que isto é uma daquelas coisas cuja origem desconheço. Penso que terá surgido no seio do PS, que começou a adotar isto. Só sei que a certa altura se começou a ouvir dois plurais diferentes, o das elas e o dos eles, como se se tratasse de coisas realmente distintas, tipo as panelas e os tachos, as carteiras e os sapatos, e coisas do género. E o que mais comichão faz é ouvir mulheres a dizer estas coisas com todo o orgulho, como se fosse disto que precisassem!

 

Isto para mim é só ridículo, portanto. Para já, a coisa está incompleta. Bem feito, e se querem ser verdadeiramente justas e justos, deveria ser por exemplo: “as Portuguesas, os Portugueses e os assim- assim”. Então e os trans em transição, ou a meio-caminho? E os hermafroditas? Depois, se é para haver igualdade, que tal começarmos todos a dizer coisas como: “As minhas colegas e os meus colegas, tão trabalhadoras e trabalhadores,  na verdade são minhas amigas e meus amigos, e tudo isto porque são Portuguesas e Portugueses, lindas e lindos, que é como dizem as ridículas e os ridículos deste País.”

 

 

As obcecadas

 

Esta categoria só tem mesmo a ver com o piropo. Mas que raio de mal faz a uma pessoa ser chamada de “rosa perfumada”, “princesa estonteante”, “xuxu do meu coração” ou “flor da avenida”? Até levanta a auto estima duma pessoa (desde que não  se vire e veja o aspeto do autor e apenas imagine que é o rapaz que todos os dias mal acorda vai lavar a roupa em tronco nu*). Estas mulheres nunca receberam um piropo na vida, está visto! O que elas têm é inveja!

 

 

Em prol da igualdade entre os sexos, está aqui o meu contributo. Resta-me fazer um apelo às queridas mete-nojo: deixem de nos boicotar!

 

 

* Este anúncio televisivo devia ganhar um leão de ouro, embora eu aposte o que quiserem que ninguém se recorda do nome do detergente.

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