• Carla

YIN E YANG



Tempos atípicos exigem um esforço para ter alguma normalidade. Por isso, para além daqueles 5 segundos ao acordar em que acreditamos que está tudo bem, antes de cair na realidade... que mais se pode ter? Escrita. Sem falta! A cabeça agradece e os temas não são mais do mesmo...


Bem, para ser efetivamente normal, este blog começa a seguir as tendências: a partir de agora, semana sim, semana não, haverá publicidade a produtos contra os piolhos, tipo influencer-mãe-nasciparasermãe-pagammeparaisto-querremédio; haverá toneladas de dicas de lifestyle, receitas detox, cenas about last night e dedicações de amor até Plutão+três voltas ao Sol e depois back! Textos sobre slow living, feng-shui, abaixo-assinados contra as palhinhas de plástico.... e em breve, inclusivamente, vou anunciar que me tornei coacher de animais de estimação.


Posto isto, gostaria de abordar o tema do Yin e o Yang, já que há variadíssimos pares complementares, que não vivem um sem o outro. Lembrei-me de um duo típico.


YIN queridinho e YANG sereno


Há um YIN e um YANG na convivência ESPETACULAR entre a querida pré-adolescência (YIN) e a fofinha pré-menopausa (YANG). Na verdade ouvi dizer que não é fácil...


O YIN, amoroso, dócil, e duma simpatia extrema, sensibilidade para com o mundo em geral, apenas e tão somente não aceita que olhem para ele...e que lhe toquem... e que lhe chamem nomes doces... aliás, que lhe dirijam a palavra.... E está no seu direito. Porque na verdade É NOJENTO receber beijinhos dos pais e muito menos andar de mãos dadas com eles, ser abraçado, e muito menos confortado.

O YIN chora. Chora devido a tanta injustiça que o universo decidiu descarregar em si. Isso e tantas borbulhas...

Melhor solução? Bater com a porta do quarto 5645 vezes por dia.


O YANG, imensamente ponderado e sereno como nunca antes, também chora. Só não sabe bem porquê.... Igualmente não gosta que olhem muito para ele, em especial de alto abaixo. Nem que lhe moam o juízo. Não suporta as injustiças, que afinal foi nele que o mundo descarregou: a da incompreensão, a das lentes progressivas, a das etiquetas XL no armário. E de como é caro pintar os brancos...

Solução? Comprar roupa, claro!


Entram em guerra frequentemente. Chovem gritos onde um dia já choveram almôndegas, numa sala de cinema escurinha, de mãos dadas e cúmplices. No tempo em que o YANG ainda podia abrir a boca sem ser ridículo ou fazer um comentário que não fosse uma afronta. Em que se riam juntos.


Nesta fase, O YANG deve remeter-se à sua insignificância, à sua ignorância. Aprender que teledisco afinal é videoclip, que Instagram se diz Inssssstagrémmmm e que as canelas têm que andar sempre à mostra. Cantar é piroso, rir é ridículo.

Agora tem que estar mudo. Quieto. Pode respirar mas sem grande alarido. Tem que controlar os afrontamentos e em alerta constante para não quebrar as novas regras. E aceitar que nunca devem ser vistos em público.


O YING, por sua vez, tem vómitos de cada vez que vê fotografias da infância com lacinhos cor de rosa ou meias até ao joelho, apesar de NUNCA ter sido obrigada/o a andar de turbante, nem a vestir-se com padrões tigreses ou smoking infantil nos casórios.., e nem sequer NUNCA ter usado um colar de âmbar ao pescoço. Sente-se incapaz de controlar as hormonas do YANG, mas acima de tudo as suas próprias hormonas.

Haverá futuro para esta relação? Claro que sim! O YANG sabe que já foi YING e o YING sairá desta fossa. Voltarão a abraçar-se, a beijar-se e a elogiar-se. Voltarão a dar as mãos, a partilhar confidências e as hormonas sossegarão.


Vamos acreditar no futuro risonho que nos espera a TODOS!




Photo byBaylee GramlingonUnsplash